Festimar 2026 reúne especialistas e amplia debate sobre qualidade e mercado da soja

O segundo dia do Seminário de Qualidade da Soja do Porto do Rio Grande aprofundou o debate sobre os principais gargalos e oportunidades da cadeia produtiva durante o Festimar 2026. A programação reuniu especialistas, representantes de empresas certificadoras e operadores do setor, fazendo do Festival um palco para discussões relacionadas ao futuro da soja no Rio Grande do Sul.

Certificação e estrutura portuária em foco

A manhã teve início com o painel “Certificação: Confiança e Segurança para Exportações Rio-grandinas”. Participaram representantes das empresas Bureau Veritas, SGS e Fides Control, mediados pelo jornalista André Zenobini. 

Quando questionado sobre a organização do Porto do Rio Grande, o gerente de operações da SGS, Luis Fernando Martins, avaliou que o complexo possui uma base sólida, com uma cultura de procedimentos considerada referência. No entanto, apontou a necessidade de avançar na estrutura de serviços voltados à qualidade do produto. “Seria importante todos os terminais e organizações pensarem em termos de uma área de classificação credenciada, um local adequado para que os processos sejam realizados com segurança”, afirmou. 

O painel também trouxe à tona recentes tensões comerciais relacionadas à China. Representando a Bureau Veritas, Carlos Bandeira destacou que as restrições impostas pelo país asiático fazem parte de um histórico já conhecido pelo setor, mas criticou mudanças abruptas nos critérios.  Ainda assim, reforçou a confiança no produto nacional: “Nossa soja é de alta qualidade, lidamos de igual para igual com qualquer exportador do mundo, com vantagem”.

China e exigências internacionais entram no debate

Na sequência, o painel das 10h abordou a padronização de processos entre terminais e o papel da Autoridade Portuária. Representantes de empresas como CCGL, Bianchini e Bunge discutiram a importância da integração operacional e do controle de qualidade como diferenciais competitivos.

Cenário da safra 2025/2026 e impactos globais

Já no período da tarde, o seminário avançou para uma análise mais ampla do cenário da safra 2025/2026, com o painel conduzido pelo superintendente de logística operacional da Conab, Thomé Luiz Guth. A apresentação trouxe um diagnóstico detalhado da conjuntura, estruturado em três eixos: fundamentos de oferta e demanda, formação de preços e custos aliados aos fatores geopolíticos.

Entre os destaques, Guth apontou que o mercado global vive um momento de ampla oferta, com estoques projetados em 125,3 milhões de toneladas, enquanto o Brasil caminha para uma safra recorde de 177,8 milhões de toneladas. O cenário, embora positivo em termos de produção, coloca pressão adicional sobre a infraestrutura logística, especialmente nos portos.

Agroindústria gaúcha enfrenta cenário instável

Encerrando a programação do dia, a palestra “O panorama do setor agroindustrial do Rio Grande do Sul”, ministrada pela jornalista Gisele Loeblein, ampliou o debate ao trazer uma leitura didática dos desafios enfrentados pelo agro no estado. A comunicadora destacou que o cenário atual é marcado por instabilidade e exige capacidade de adaptação diante de variáveis cada vez mais imprevisíveis.

Ao retomar fatores como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, eventos climáticos extremos no Sul do país e as limitações do crédito rural, Loeblein chamou atenção para o nível de endividamento do setor, que já soma R$72,2 bilhões. Segundo ela, o modelo tradicional de financiamento não tem sido suficiente para atender às demandas do agronegócio. “O sistema financeiro convencional continua sendo importante, mas não dá mais conta de tudo o que o agronegócio precisa. Existe uma demanda superior à oferta”, afirmou.

A palestrante também mencionou propostas em discussão, como o PL 5122/2023, que busca ampliar alternativas de crédito com condições mais acessíveis. Ainda assim, reforçou que o problema está tende a exigir soluções estruturais nos próximos anos.

Fertilizantes e risco de desabastecimento

No cenário internacional, Loeblein destacou o impacto direto de conflitos geopolíticos sobre a produção agrícola. O recente agravamento das tensões no Oriente Médio, segundo ela, afeta cadeias logísticas estratégicas, como o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um terço dos fertilizantes comercializados no mundo.

Loeblein destacou a importância do planejamento estratégico aliado à flexibilidade. Para ela, o complexo portuário precisa trabalhar com múltiplos cenários e alternativas operacionais.

A jornalista também apontou a diversificação dos modais logísticos como uma oportunidade concreta para o Estado. Em um contexto de aumento de custos e incertezas globais, investir em hidrovias e ferrovias pode reduzir a dependência do transporte rodoviário e ampliar a competitividade. 

“Imagina você ter a possibilidade de chegar no porto não só pela rodovia, mas pela hidrovia, pela ferrovia. Toda vez que você tem opções, o resultado tende a ser melhor”, concluiu.

Festimar 2026

Entre 26 de março e 05 de abril, acontecerá o Festival do Mar em Rio Grande-RS. O evento, que conta com diversas atrações gratuitas, é uma realização da Câmara de Dirigentes Lojistas do Rio Grande e São José do Norte. O patrocínio é da Portos RS – Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Sicredi, Stone, Empório Gelei e Brahma Express, Yara Brasil, Doctor Clin, Osirnet, Caixa Econômica Federal, Farmácias São João, Corsan, CMPC, Biscoitos Zezé e ODFJELL TERMINALS Granel Química. Com o apoio de Cootracam, Unifértil, Guanabara, Praticagem da Barra do Rio Grande, Grupo RBS, CEEE Grupo Equatorial, Stok Center e Postos Buffon. O evento é uma parceria com a Prefeitura Municipal do Rio Grande.

Por: Martha Cristina Melo
Supervisão: Brenda Vieira Reg. 20231/RS
Foto: Guga Volks
ASCOM Festimar/AZ Comunicação

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